sábado, 19 de setembro de 2009

O mar e o tempo

Foto: Arquivo pessoal de Caymmi

Pensar em Caymmi é chegar na beira da praia, de pés descalços, olhar o mar e sorrir. Sua obra que nos transmite paz, brasilidade, o bom sentimento baiano e até mesmo a sensação de um mundo melhor, logo nos põe em xeque: o que queremos da vida afinal? Para quer viver de mal com o tempo, correndo atrás do relógio (ou correndo dele), pra chegar onde?

Mais do que sua maravilhosa obra deixada, mar, povo baiano, Caymmi tinha um jeito de viver todo especial, fala mansa, olhar acolhedor, ao contrário do que poensam, ele não passava o dia todo na rede, mas era um "bon vivant", levava a vida com cadência, era leve, leve... se outros fossem iguais a ele a vida seria bem melhor.

A mansidão não significa fraqueza, mas sim coragem, coragem de aproximar os outros pelo que há de bom, sem causar medo e realizar sempre sem prejudicar o outro. Essa massa cinza de olhares carrancudos plantada pelo "desenvolvimento" da nossa digníssima civilização dita que não devemos deixar barato, é olho por olho, dente por dente e os fracos seguem essa vertiginosa implicação, coitados...

Eu sigo proferindo e concordando com Caymmi... "Pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz..."



Muriel

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